sexta-feira, novembro 18, 2005

Correnteza

É uma sensação esquisita esta, a de deixar acabar.

Logo eu que vivo sempre remando, sempre achando que é possível, sempre achando que vai dar certo e que há fôlego renovado todos os dias.

Mas chega uma hora em que torna-se impossível nadar contra uma correnteza mais forte do que você. Onde, por mais fortes que sejam suas braçadas, a correnteza se torna ainda mais hermética. Como se você estivesse em uma daquelas piscinas de treinamento e cada vez que consegue superar, a intensidade do fluxo da água aumenta. Como se você fosse um contato comercial e toda vez que está prestes a bater a meta do mês, seu chefe a coloca um patamar acima.

Você pensa em mil alternativas para vencer as ondas, o cansaço, o desânimo, a solidão do mar aberto. Até que se convence que a melhor coisa que pode fazer em prol da sua sobrevivência é se deixar levar. Deixar que tudo se acabe no vazio.

Largar o corpo ao sabor das ondas, do destino. Mesmo que seja pra concluir depois que ainda vale a pena nadar mais um pouquinho.

Ou não.

3 comentários:

  1. Morrer não, Nana, mas chegar. Pode ser que a correnteza leve até a praia.

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  2. Até porque, vai que na praia tem um nativo maravilhoso, forte, musculoso, bronzeado, de dois metros de altura, culto, inteligente, delicado e moooorto de solidão...
    JU...

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  3. O bom de chegar na praia é botar os pés no chão, ficar sobre as pernas, apropriada de tudo o que se é!

    Beijo beijo beijo!

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