Polticos têm sempre ideias brilhantes para resolver os problemas do país.
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro resolveu tomar medidas drásticas para combater o tráfico de drogas na cidade do Rio de Janeiro.
E proibiu os bailes-funk, pronto. Resolvido o problema. Proibindo os bailes, acabam-se o tráfico de drogas, o de armas, a intimidação dos moradores, a cooptação de crianças cada vez menores para servir ao tráfico, os tribunais liderados pelo chefe do morro e outras mazelas que fazem a vida dos moradores das favelas cada dia um pouco pior.
Claro que a ausência do Estado nos morros, a frouxidão da Justiça e a corrupção policial não têm absolutamente coisa alguma a ver com isso. A culpa é do pancadão.
Ninguém contesta o fato de que nos bailes-funk, em especial os promovidos lá no meião das favelas (morro de vontade de ir num desses!) rola muita droga e que as letras dos proibidões falam de armamento, de matar policiais, exaltam o Comando Vermelho e outros assuntos relativos ao tráfico de drogas. Mas elas apenas retratam a realidade dos morros. O trafico, os fuzis e tudo mais que se canta nos proibidões, tudo isso é anterior à explosão do funk no Rio de Janeiro, onde estima-se haver pelo menos 200 bailes por mês e que esses bailes atrairiam quase 2 milhões de pessoas, no total.
Aliás, alguém me responda: quem é que vai fiscalizar se lá no coração da favela tá rolando um bailão? A mesma polícia que deveria coibir a venda de drogas e armas? Ou pretendem chaamar o Capitão Nascimento, que até já se aposentou?
Se o Estado fizer a sua parte e ocupar o lugar que não deveria ter ficado vago para ser preenchido por traficantes que agem como donos dos morros, o que efetivamente são uma vez que decidem quem morre e quem vive e são os ídolos da garotada, não haveria tráfico, nem AK-47, nem Comando Vermelho para se fazer música sobre, seja ela funk, rock, samba, forró ou bolero.
A única vantagem dessa proibição - que não vingou, aliás - era que sumiria parte dos atentados ao bom gosto que andam por aí, como a Gaiola das Popozudas, Mulher Melão, Jaca, Moranguinho e todo setor feminino hortifruti.
021 (funk fuckers)
Rio, cidade-desespero, a vida é boa, mas só vive quem não tem medo,
Olho aberto, malandragem não tem dó
Rio de Janeiro, cidade hardcore,
Arrastão na praia não tem problema algum,
Chacina de menores, é aqui, 021;
Polícia, cocaína, Comando Vermelho,
Sarajevo é brincadeira, aqui é o Rio de Janeiro...
Rio de Janeiro, compra um saco e cheira agora.
Rio de Janeiro, compra um saco e cheira agora,
Pra se virar tem que aprender na rua
O que não se aprende nas escolas
SEGURANCA é subjetiva,
Melhor é ficar com um olho no padre e outro na missa...
Situações acontecem sob um calor inominável,
Beleza convive lado-a-lado com um dia-a-dia miserável,
Mas mesmo assim, amo esta terra,
não a troco por lugar algum,
já disse: este é meu lar, aqui, 021
Não pode te prejudicar,
muito menos te matar,
Estão negando informações
Pra depois você pagar
The Funk Fuckers
Sempre achou e vai achar,
Faça o que você quiser,
Sem se influenciar,
Não deixa a polícia pegar,
Cê não pode vacilar,
Tem que ter queimado tudo
Antes dos homi chega,
Eu sou B. Black e vou falar:
Legalize já!
Porque uma erva natural
Não pode te prejudicar!
Planet Hemp, Funk Fuckers, Black Alien, O Rappa,
Isto é nossa família tentando legalizar,
Não faço apologia,
Nem quero catequizar,
Cada um tem que saber da decisão que vai tomar...
Adorei "não tem dó" rimando com "rardicó" (hardcore).
ResponderExcluirNo mais, concordo com tudo, aliás é uma tendência, culpar a azeitona pela indigestão da feijoada. Agora aqui as lanchonetes tem que ter álcool em gel pros clientes, pra prevenir a gripe nova...mas no postinho de saúde falta médico, remédio...
Bjs Rosana.
Como carioca, é com grande tristeza que digo: O Rio, não tem mais como controlar o trafego de drogas, não tem como controlar a violência, não tem mais como voltar a ser a cidade maravilhosa que conheci. Medidas tinham que ser tomadas, nos anos 70, 80, agora, na boa, eu não acredito, óbvio que acabar com o baile funk não daria em nada, o culpado de tudo não é o funk, mas para tudo existe um culpado para pagar o pato...
ResponderExcluirbeijos
Re