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terça-feira, abril 22, 2008

As diversas faces da solidão



Não ter para quem contar a conquista, pessoal ou profissional, mais recente;
nem para quem fazer aquela receita bacana do livro do Jamie Oliver,
ou nem mesmo comprar o livro, já que não vai fazer nada dali mesmo por pura falta de ânimo.

Não ter ninguém esperando no aeroporto com saudades, quando se chega de uma viagem; nem ninguém para esperar chegar, sentindo as mesmas saudades.

Não ter com quem planejar férias, passeios, nem com quem ir ao cinema. Ou jantar. Conversar sobre bobagens. Tomar um vinho, comer queijo e batatinha. Assitir a um filme no dvd.

Nada de amigas para comprinhas no shopping, sangrias no Jóquei, papos longos e sem fim sobre o assunto feminino de sempre. Contar que já perdeu dois quilos e ouvir ahs! e ohs! de admiração e incentivo.

Nem um bichinho para acariciar, alimentar, escovar, cuidar. Ou histórias para contar. Ou filhos para se ver neles, netos para mimar e estragar. Uma plantinha para regar. Uma loucinha no fundo da pia para lavar.

Ninguém para dizer que você está linda, ou que emagreceu, ou que seu cabelo está brilhante ou mesmo para reparar que você tem andado mais gordinha (e que gosta de você assim mesmo). Nem vontade de comprar uma roupa nova, de ir ao salão de beleza, de freqüentar a academia de ginástica e voltar para uma casa vazia depois, com as sacolas de compras que não serão mostradas a ninguém. Nem escondidas de alguém que vai dizer que você gastou demais.

Todo dia a casa sempre igual, tudo no lugar, exatamente como foi deixado pela manhã. Nenhuma toalha meio úmida que ficou em cima da cama o dia todo, ou um sapato largado no meio do corredor para se tropeçar no escuro, ou o banheiro sendo usado bem na hora em que se quer fazer xixi.

Ninguém para comer a última fatia do queijo, ou a última maçã, ou aquele biscoito que você tava guardando para tomar chá no fim de semana. Sozinha.

Nenhuma alma pela qual rezar, nenhum morto para chorar, nenhum túmulo para visitar nenhum ente querido para se recordar. Nem mesmo uma única pessoa para tirar fotos e ficar te dizendo: credo! fiquei horrível! Ou para amarrar nas costas aquele vestido difícil que precisa de ajuda para ser vestido.

Estender a mão para o lado e encontrar alguém, mas este alguém é sempre tão distante que parece inalcançável. Ou esperar por alguém que nunca chega, mesmo quando se ouve o barulho da porta, a chave rodando na fechadura: alguém que chega em corpo, mas não em espírito.

Ninguém para te encher o saco. Nada, além da solidão.

11 Comentários:

Blogger Ana disse...

Clau, que texto lindo! Lindo e triste... :(

11:12 AM  
Blogger Cláudia disse...

Ana, obrigada. É que fiquei outro dia pensando nisso, que solidão não é igual pra todo mundo, e que as pequenas coisas podem traduzir uma solidão imensa, muito mais que palavras ou atos grandiosos.
Da mesma forma, esta mesma solidão pode ser combatida com coisas tão pequenas e que enchem tanto a vida da gente... como um bichinho de estimação, o telefonema de um amigo, um ente familiar atencioso, a perspectiva de um amor e por aí vaí.
Volto de Brasília assim, toda sensível... rs

beijo

11:19 AM  
Blogger Re disse...

LINDO!
E me fez pensar... O que eu faço aqui na minha solidão escolhida? Se eu podia ter esta solidão imposta...
Triste.
beijos
Re

12:59 PM  
Anonymous vivi disse...

Cláu...
Como disseram acima, triste e lindo.
Vc descreveu pequenos atos que nos mostram momentos solitários.
Mas estes também não são bons?
Poder ligar o som na música que você quer, em alto e bom som?
Andar nua pela casa?
Encher a boca com cebola e alho sem ninguém pra reclamar?
Cantar desafinado sem ninguém criticar???
Tomar um porre sozinha?

Ah, tudo tem os dois lados, né!?
beijão, querida!
Aparece lá no meu canto, vai!? rs....

2:31 PM  
Blogger Cláudia disse...

Re, quando ela se tornar demais, pode ser que abra mão dela.

Vivi, você me fala de momentos sozinha, coisa que adoro e sinto falta. Mas todos os dias poder fazer isso, todo o tempo... não sei, me parece meio triste e vazio, sabe?
Eu gosto da Cindy me perturbando cinco da manhã, gosto da Bela com sua bagunça me rodeando, gosto de dividir banheiro, e acho que quem nao tem nada disso, todo o tempo, é a expressão mais profunda da solidão.´
Tô indo lá!
beijo

7:42 PM  
Blogger Cláudia disse...

vivi, eu vou sempre ao seu blog, mas nao consigo comentar, pq o terra sempre me diz pra eu digitar as letrinhas de verificação corretamente, e nao saímos desse impasse.
Agorinha mesmo fui comentar o texto do terremoto e nao consegui...
beijo

7:47 PM  
Blogger Lala disse...

Ô amiga, que coisa mais sensível...
Uma vez li que "solidão" é não ter quem te impeça o suicídio... Mas tô com você: solidão é tudo isso, nada disso, muito mais.
Beijo!

P.S. Mas que vc emagreceu, isso emagreceu mesmo.

5:13 PM  
Anonymous vivi disse...

Cláu, este terra, viu! Que teimoso!! Ele que não deve enxergar direito as letrinhas que vc digita...
Mas eu vi um comment no outro post. Obrigada, viu!!

Qto à solidão, sei bem como é...
Vc nem imagina quanto...
Mas sabe, no fundo, no fundo, estamos sempre, sempre 'sós'...
Vc não concorda?

Beijos

5:21 PM  
Blogger Cláudia disse...

lala, obrigada, mas ainda me considero um bucho

vivi,não sei, acho que acredito mais em momentos de solidão do que nao solidao em si.

beijo

11:34 PM  
Blogger mc disse...

ai.. que lindo.. doído! e profundo. adorei!

11:36 AM  
Anonymous Anônimo disse...

Cláudia, eu preciso comentar esse texto...você escreve as palavras da minha vida...

Pior que eu nem escolhi viver assim...

Daniele

1:16 PM  

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