
O Curso de Penélope foi ministrado neste blog há 4 anos, e até hoje falam dele para mim. Ele nasceu numa tentativa de fazer graça com a imensa dificuldade que uma amiga querida tinha de se deixar ser mimada e paparicada, de agir como mocinha, temendo ser rotulada de fresca, ou oportunista, ou folgada, ou qualquer outra coisa absurda que passava pela cabeça dela com tanta frequencia quanto o secador de cabelos passa pela minha. Aliás, em algumas ocasiões ela não conseguia nem
perceber o cavalheirismo e não foram poucas as vezes em que eu praticamente bati nela pra ver se a mocinha que vivia nela acordava - até porque ela ia me arrastar junto na roubada, certo? Do tipo ir junto do mocinho pegar o carro na chuva em vez de esperar embaixo da marquise, pra acabar com a escova no cabelo, feita a duras penas com o secador de cabelos do hotel que não ventava, emitia uma leve brisa morna.
Afinal de contas, se o cabelo dele molha, é curto, seca num instante e ele não levou nem 3 minutos pra arrumá-lo - considerando que passou um pente, em vez de apenas as mãos. Já a gente, dependendo do grau de intensidade da chuva, não apenas o cabelo se desgraça, como a maquiagem fica comprometida, a roupa grudada no corpo, os pés, molhados, e se estiver com uma sandalinha, fim de caso para ela, coitada, rest in peace.
Hoje, a musa inspiradora do curso praticamente se doutorou em penelopês e percebeu que podia continuar sendo excelente profissional, fora de série, inteligente, independente e capaz, e ao mesmo tempo ser Penélope. Que uma coisa não excluía a outra e que aceitar gentilezas masculinas, bater os cílios, enrolar uma mechinha e deixar o mocinho da vez fazer papel de homem que quer agradar em alguns bons momentos da vida não a fariam menos excelente profissional, fora de série, inteligente, independente e capaz.
No fim, acho que o grande sucesso da série de textos penelopianos reside no fato puro e simples de que todas nós temos nossa dose de Penélope, algumas mais outras menos, e que demonstrar isso nem sempre é uma coisa simples, tamanha a cobrança que nós mesmas nos impusemos de sermos sempre perfeitas.
Bateu a curiosidade? Leia
aqui, mas de baixo pra cima, começando pelo
Como ser Penélope em 7 rápidas lições.