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quarta-feira, junho 14, 2006

Bater continência



A imagem acima é famosa no mundo inteiro: o filho do presidente americano John Kennedy, aos 3 anos de idade, batendo continência para o caixão do pai.

Bater continência é um gesto largamente difundido pelo cinema, normalmente em cenas de grande emoção, como as de funerais. É uma saudação militar que tem origem na Idade Média: quando dois cavaleiros se encontravam em tempos de paz, um cumprimentava o outro levantando o elmo de leve, com a ponta dos dedos.

Bater continência é um cumprimento, indica respeito e consideração, e não um instrumento de humilhação como se propagou. Para isso, existem regras:

- o subordinado bate continência para o superior, ambos fardados. Ao contrário do que se imagina por aí, o superior é obrigado a responder ao cumprimento. Não deixa o subordinado no vácuo - como diria a Isabela;
- quando se está dirigindo, a continência não é obrigatória para quem está no volante;
- antigamente, para bater continência, era preciso estar sob cobertura, ou seja usando bibico (aquele bonezinho militar, mole) ou quepe. Atualmente, a continência pode ser batida mesmo sem a cobertura;
- o Presidente da República é o chefe supremo das Forças Armadas e todos os militares são subordinados a ele, mesmo sendo ele civil. Governadores de Estado também têm direito à continência;
- quando cruzar um superior no corredor, por exemplo, a continência pode ser feita em movimento, andando. Mas se este superior for o Presidente da República ou um Oficial General, o subordinado pára, bate continência, e segue seu caminho, sem precisar esperar pela resposta;
- se um subordinado fardado encontrar um superior em roupas civis e eles forem conhecidos entre si, o subordinado deve bater continência, mas o superior não precisa responder, porque não está fardado. Deve porém cumprimentá-lo;
- se nenhum dos dois usar farda, mas se conhecerem, o cumprimento é o normalmente usado na vida civil (pega mal um EAÊ, BRÔ!!! do soldado pro tenente, porém).

Por essas e outras, bater continência, dentro das Forças Armadas, é um gesto imbuído de profundo significado. Nos desfiles de 7 de setembro, quando a tropa bate continência para a população que está ali assistindo, é uma enorme reverência na linguagem militar, pois, como já disse acima, o único civil para o qual a continência é obrigatória é o Presidente da República.

Em funerais, a continência não é obrigatória. No Brasil, há uma salva de 21 tiros de canhão, e se o comandante da solenidade assim indicar, bate-se continência em respeito ao morto. Para o filho pequeno, não é usual. É apenas um gesto comovente, repetido pelo cinema americano, inspirado pela triste foto que ilustra este post.

9 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

E esse menino, de casaco curto e perninhas de fora, o que está fazendo em um funeral, gente? E se o bandidão resolve acertar no moleque também? Povo sem noção...
Bjs. Rosana
PS: o dia 19 de abril é o Dia do Exército e por aqui tem um a solenidade linda no Quartel-General (sim, habemus quartel general!!!!!), QG pros íntimos.

9:42 PM  
Blogger Cláudia disse...

As solenidades militares são sempre lindas, ô povo pra fazer cerimônia bonita, meu Deus!

10:48 PM  
Anonymous Samuel disse...

Alguém sabe a origem da salva de 21 tiros? Por que 21, tem um significado?
Agradeço,

4:51 PM  
Anonymous Anônimo disse...

bom texto, mas é prestar continencia e não bater!

7:44 PM  
Anonymous Anônimo disse...

só uma correção não é bater e sim prestar a continência... Abrass Flw

9:26 AM  
Blogger Faby disse...

Gostaria de saber quais são as únicas vezes que não é necessario prestar a continência?

6:20 PM  
Anonymous Anônimo disse...

MUITO LEGAL gostei muito do que está escrito !! mas tem um porém não é bater continência mas sim prestar continência, erro muito comum, pois a continência é uma homenagem, uma saudação que se é prestada.
Sua origem vem de uma determinação de um general para com os seus subordinados, onde foi mandado que fizessem o gesto coma a mão espalmada afrente do rosto (como a continência francesa, diferente da mão em concha americana) na chegada de uma rainha européia. simbolizando o brilho da rainha que estaria ofuscando os seus olhos.

4:32 PM  
Anonymous Anônimo disse...

Gostaria de saber se um civil ao cruzar com um ou mais militares (EB, Marinha, FAB), e tiver muito respeito por eles, pode prestar continência, ou se seria entendido como falta de respeito ou algo assim.
Quanto à imagem do menino, não vejo perigo nenhum, sra. Rosana. Mesmo se corresse algum risco, é o enterro do pai, e despedida do pai.

8:46 PM  
Anonymous Anônimo disse...

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