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quinta-feira, maio 22, 2008

Percepções

Terça-feira teve uma reunião de condomínio quentíssima aqui no prédio onde moro. Desceu quase todo mundo, o que significa que tinha uns 10 neguinhos, uma vez que meu prédio é bem pequeno.

Tudo porque não estamos satisfeitos com o regulamento interno que, posto em prática conforme o descrito na convenção de condomínio, faz do nosso prédio um quartel. Só faltando fardar o porteiro e a gente bater continência pro síndico.

O que mais se ouviu na reunião foi que, sendo um prédio tão pequeno, as pessoas devem usar o bom senso. Aí que mora o perigo: bom senso é um conceito extremamente subjetivo, o que é bom senso para mim não é para o outro. Exemplo prático: que acho que não tem nada demais convidar alguém para tomar sol comigo na piscina, mas não concordo que se faça um churrasco e convide 10 neguinhos para usar a mesma piscina. Já outro morador, acha que deveria poder sim, fazer uma festa na piscina. Só aí o bom senso já foi pro brejo.

Tudo isso foi só para entrar no assunto principal deste post: o quanto as percepções individuais são diferentes. Dia desses, ouvi um "você é tão bacana, que pena que o seu casamento não deu certo". Eu discordei da segunda parte da declaração - a que eu sou tão bacana eu concordei, lógico, quem sou eu pra jogar contra mim mesma?. Para mim, o fato de eu ter me divorcidado não significa que meu casamento não deu certo. Foram quase 20 anos juntos, entre namoro, noivado e casamento, dos quais a maior parte deles fui muitíssimo feliz. Além de tudo, deste casamento nasceu minha filha e eu nem preciso dizer de novo que ela é a Estrelinha do meu céu, Areinha da minha praia, Conchinha do meu mar, Tesourinho do meu baú, Tomatinho do meu molho, e todas essas coisas que eu falo e ela acha ridículo.

Como é que eu posso dizer que não deu certo?

Mais recentemente, conversando longamente com um amigo, ele disse que não tinha mais expectativas para não ter frustrações. Já eu acho que todos temos expectativas e que não é possível viver sem elas, em todos os níveis da nossa vida: que o porteiro do seu prédio seja eficiente, que determinada festa seja legal, que a apresentação para o presidente da companhia seja um sucesso. Na verdade, falávamos da mesma coisa, usando termos diferentes. Cada um coloca sua própria história como ponto de partida para perceber algo, e nem poderia ser diferente, já que cada um viveu somente a própria vida e não uma outra - tirando algumas categorias de vizinhos que, estes sim, vivem as deles e as nossas também!

É como se apaixonar por alguém. Uns acham que a paixão é algo que cega o outro para os defeitos alheios e até a temem, buscando explicação racional para afinidades que nada têm de racional; já eu sou do time que acha que a paixão não é exatamente cega, ela apenas pinta com cores mais coloridas as características boas do outro. Uma terceira pessoa me disse que então não é paixão, é amor.

E aí eu penso que pode-se amar alguém e não ser apaixonada por ele; pode-se ser apaixonada e não amar. E pode-se amar e ser apaixonada ao mesmo tempo, que é o melhor dos mundos, e que é a única situação que eu conheço.

4 Comentários:

Blogger Ana disse...

Eu tb só conheço essa situação. E por causa disso, estou sozinha até hoje. Pq depois queo Cezar morreu nao consegui sentir isso por mais ninguem.
Beijo

2:44 PM  
Blogger Cláudia disse...

Sei bem como é este sentimento, Ana. Mas acredite que um dia acontece de novo, quando menos se espera. Parece chavão, mas é assim mesmo.
beijo

10:44 PM  
Blogger cintrarenata disse...

clau,
ja amei sem paixao e já me apaixonei sem amor.... acho que dura menos, mas é intenso tb.
nem sempre tudo vem no mesmo pacote.
beijos re

7:53 PM  
Blogger "a" MH disse...

como a Re, já passei pelas diferentes formas de amor e paixão. Mas a que une as duas coisas é, sem dúvida, a melhor...

adorei, clau!

10:27 AM  

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